9.11.09

"Eu sou eu, você é você. É vasto, vai durar" C. L.

6.11.09

Raiva.

Eu confesso que senti raiva. Digo mais: gostei da raiva que senti. Ela irradiou em mim em cor verde, foi algo que transpassou meu frágil corpo. Eu gostei de senti-la porque foi como uma confirmação, a certeza que eu devo confiar na minha intuição, mesmo que esta não se baseie em fatos. Uma hora o fato aparece. E apareceu. A forma como ela passou ao meu lado fazendo cena, daquelas que as pessoas fazem quando se incomodam com a presença da outra e tentam disfarçar, fingem indiferença. Eu sei como é. O sonho que eu tive foi libertador, eu te xinguei, disse tudo o que eu gostaria de te dizer, mas que não vou. Não porque eu não queira, é porque você não merece nem saber da minha raiva. E agora que ela passou eu reservo para você minha indiferença, pessoa sonsa.

4.11.09

Lembrança

Eu me lembro bem do frio na barriga que sentia toda semana com a chegada da quinta-feira. Era o dia de irmos para o apartamento na praia. Nosso universo particular. Me lembro da atmosfera vermelha que aqueles dias tinham. Do cheiro de vela colorida queimada. Do quanto a ansiedade era boa e do quanto todos os sentidos estavam presentes e estimulados pelos próximos três dias, os nossos três dias.

Tempo.

Lembro do medo que tínhamos do tempo, do quanto pensávamos que ele poderia ser corrosivo. E nos enganamos. Ainda bem, seguimos no engano bom de sermos nós.