26.5.08

Cicatriz.

..fez-se a ventania. Agora é hora de organizar o que sobrou [a(s) parte(s) mais forte(s)]. Um tanto metódica, ela joga os cacos inutéis. Cola os que podem continuar fazendo parte. A cicatriz [disso tudo] será tocada e nem doerá. Ficará até bonita.

...é sempre um caminho sem volta, esse de se reorganizar internamente. Se reescrever.

19.5.08

Escritas no corpo (Parte 1).



"Teu sabor é uma salada de desejos possíveis"
[Barriga. Vela amarela]

Coração

Ele ligou no meio da manhã, nervoso, dizendo que deixaria seu coração na portaria do prédio dela.

Ela aceitou, com medo.

No meio da tarde ele desistiu da entrega e jogou [o coração] no lixo do metrô Paraíso.

13.5.08

Vômito.

Ela pode dizer que está em uma fase de botar o dedo na güela [assim de forma bem grosseira mesmo] e colocar para fora o que a incomoda. Ao mesmo tempo ela tenta ser bem reflexiva [de acordo com o que está na pele] porque nem tudo deve sair. Pena que o fato de vomitar não significa se livrar do que foi vomitado. Mas o ato em si já causa um alívio, que vale.

7.5.08

O momento dela é de ausência.

Sem porquês ou quem.

Só ela.

2.5.08

Limpar.

Ela está em fase de mudança. De rever. Rever coisas, pesssoas, conceitos. Rever escolhas e tudo mais. Ela sente que está meio doloroso. Sente o choro [por dentro] a toda hora. Chegou a conclusão que nem tudo que conseguiu era o que realmente queria.
Ela começou uma limpeza bem calma na vida. Começou com os objetos e agora está na parte mais difícil: as pessoas. Percebeu que não precisa tanto de relações humanas quanto achava. Tomara que ela tenha coragem de ir até o fim. E enfim consiga se livrar de tudo que a impede de ser ela. Só e simples.