20.11.07

Conversas.

Os ditos abaixo são frutos de scraps trocados entre eu e um baiano muito querido, com participação especial de um carioca igualmente querido. (O ideal é ler de baixo para cima)

Niltim:
e lá vai o barco do nosso destino fluindo. enquanto de braços abertos, o vento (aquele do movimento) nos ergue e nos guia no tempo certo da nossa velocidade. Então sentimos o andar com todo o corpo!

19 nov
Bianca:
O desejo e o medo são amigos intímos. Penso que um se alimenta do outro. E vivem a nos alimentar...

19 nov
Gustavo:
No entanto, seria razoável colocar os desejos em dúvida e, por outro lado, desejar o duvidoso? Aliás, é possível desejar algo que não seja duvidoso, desconhecido e, portanto, desejável? Ou o desejo, sem dúvida, também pode co-existir com o medo do novo? Fico pensando...

18 nov
Bianca:
é mais fácil seguir em frente com as vontades e dúvidas. essa combinação nos forma e transforma a cada instante. é só permitimos. é só abrirmos os braço.s

18 nov
Niltim:
logo, o que seríamos sem as dúvidas? o que trazem os ventos? se a vontade nos move, a inquietude tem nos feito aprender. nos leva esse vento nos passos da dúvida. o lém é a vontade de não ter certezas!

18 nov
Bianca:
e a vontade é o que move. movimento novamente. logo sentimos o vento a nos levar mais e mais. e além.

18 nov
Niltim:
daí, tudo é mais colorido. a vontade de luz, a ilusão do cinza, a busca. virtuar-se pelo caminho dos desejos! sentir falta dela [a luz], vontade!

17 nov
Bianca:
é. e o melhor não é o encontro com ela [a luz]. é a sua busca. nessa busca podemos ser ela.

17 nov
Niltim:
ah! se o cinza for capaz de nos mostrar as cores que o forma... talvez a gente fosse capaz de descontrui-lo sempre sem pestanejar. De certo, não precismos sempre de todas as cores, no fundo queremos é encontrar a luz...
Responder

17 nov
Bianca:
e descortiná-lo cabe a mim. eu vou esperar o dia que chega com o sorriso que eu quero que ele me abra. e assim fica fácil de achar o ritmo do movimento e o tom da cor certa. o segredo é aproveitar bem o cinza pra valorizar ainda mais a vida das cores que pintamos.

Niltim:
em tempos de falta de cores, a gente acaba esquecendo que o cinza também é uma cor. Na vontade de que o tempo passe, se deslumbrar pela vontade de arco-íris é natural. E, como se fosse de repente, goticulas de agua penetram raios de sol. Outro dia vem chegando...

17 nov
Bianca:
às vezes a gente não consegue colorir. não consegue movimento. Uma pausa para reencontrar o encantamento do simples. O simples encantamento. Nem sempre as cores vem.

16 nov
Niltim:
pois é aí que o dia toma o sentido que ela merece. O sentido são as cores em movimento, que nos remete ao frio, que nos ensina a brincar. a flor e a lua. tudo é luz, e então cores do dia que são!

16 nov
Bianca:
e então brincamos de verdade. A verdade pode ser o perfume da flor desejada ou a luz da Lua admirada. O cotidiano fica iluminado e perfumado, mesmo que a nossa volta tudo esteja cinza. A verdade [brincada] dá cor ao dia.

16 nov
Niltim:
e então... corre pelos ventos, uma sensação de aroma de flor de verdade, daquelas que se abrem para a inventividade mais próxima, que desvia as vicisssitudes do corriqueiro. Como se a verdade fosse a brincadeira mais gostosa.

16 nov
Bianca:
movimentar a verdade é a principal demanda. Nós demandamos até de verdade-inventada, desde que seja bem lúdica [linda].

16 nov
Niltim:
o desejo, então, é a demanda do dia-a-dia! Movimenta verdade, alimenta saudades!

"Imaginá-lo ignorante do que se passava dentro dela não diminuía sua ternura. Aumentava-a, fazia-a maior que seu corpo e sua alma como para compensar a distância do homem". (Perto do Coração Selvagem)

17.11.07

Impulsividade.

Ela andou confiante com a decisão na mão. Mas logo na primeira vez que ela abriu a mão e mostrou a decisão viu que não era compartilhada [a decisão]. Era só sua. E isso por si só acabava com ela. Bom que foi rápido. Fecha-se a mão. Joga-se a decisão bem longe. Longe o suficiente para não enxergar mais a medida da sua impulsividade.

15.11.07

Decidir.

-O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?
-Isso depende muito de para onde você quer ir, respondeu o Gato
. (Alice do país das maravilhas)


Pronto. Já escolhi meu lead [quem, quando, como, onde e porquê]. Agora vou seguir de acordo com a minha escolha. Quero fazer as coisas até o final. Cansei de meios-termos e 'e se'. Me sinto mais segura tendo uma decisão nas mãos.

10.11.07

Interpretar.

Ela interpretou um personagem. Ela se arriscou nessa interpretação. Podia gostar. Pior: podiam gostar. Ela buscou aprovação quando decidiu interpretar. Doeu ser aceita não sendo, estando...

Arranhão.

O arranhão estava bem visível. Ela não tentava mais esconder. cansou. Maquiar o que já não adiantava mais. Escancarar e encarar era melhor. Apesar de trazer reações. Ela não gosta de consequências, por isso reflete. Em um acesso de raiva arranhou-se mais. Como se fosse purificar. Apagar o motivo do arranhão original. A partir dali, o arranhão era só dela. A dor também.

Colo cedido.

O casal ao lado incomodava. Aquele colo cedido provocava. A cabeça de lado. O sorriso doce. O movimento leve das mãos. O brilho do olhar. O brilho. As palavras dita nas bocas entreabertas. Era tudo provocativo. Parecia algo forjado. Ensaiado para incomodar. Ela queria ceder e ter um colo cedido. Sem ser observada, para não provocar.

7.11.07

Medida.

Definitivamente eu não quero nada que seja na medida do possível.

-O meu é sem medida, por favor.

Diferença.

Não fez diferença. A sensação estranha e indefinda de tristeza-alívio-'eu sabia'-'nem ligo' durou até a casa esvaziar e eu apertar o play. O filme era pesado. E eu fui ficando mais leve. Não consegui chorar. Mas não faz diferença.

5.11.07

Contemplação.

Passei os últimos dias com uma sensação de contemplação. Como se eu tivesse me abandonado para observar e contemplar o quanto minha vida tá boa. Bem boa. Serena. Sim, há um motivo de inquietação, que por alguma vezes me tira a serenidade. Mas até isso é bom. Nenhum canto da minha vida tá vazio, me dou conta.