26.9.07

Me preencher.

Eu tento me preencher com a vontade de você.
Ou será que eu tento me enganar com esse preenchimento sem, na verdade, te querer?
O que vale mais: o querer ou o entender que quer?
Como saberei me convencer? Preciso me convencer?
Convencida de tantas auto-desconfianças sigo e sigo. Ora vazia, ora cheia de você, ora sem saber qual o 'você' que quero. Há algum 'você' ou eu que me enganei para preencher esse vazio que me ocupa?

24.9.07

Canto novo.

A roupa seca rápido. O pão da padaria da esquina é muito bom. O almoço da churrascaria ao lado nem tanto. As crianças brincam na rua. As pessoas colocam cadeiras nas calçadas para prosear. Eu vejo a Lua da minha janela. O vento assovia muito por lá. E tudo tem meu jeito. Eu que fiz esse tudo.

Caminho novo.


Com ou sem pedras ele é novo. E fui eu quem escolheu ele pra mim. Esse cheiro de novidade no ar me acalma. A novidade me deixa cautelosa. Agora eu refaço, recrio, renovo e sigo em frente. Ele depende só de mim. Eu. Só eu posso [des]construi-lo. E assim eu [re]faço. Calma. Feliz. Nova. Outra.



"Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto".
(Clarice Lispector in Felicidade Clandestina)

17.9.07

Tem carinho que precisa ser eternizado



She diz: vc fala flores!!






15.9.07

O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
mal começaste a conhecer a vida
já anuncias a hora de partida
sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
e em pouco tempo não serás mais o que és
preste atenção, o mundo é um moinho
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
vai reduzir as ilusões a pó...

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, querida
de cada amor tu herdarás só o cinismo
quando notares estás à beira do abismo
abismo que cavaste com teus pés (Cartola)

Amor

Eu queria. Mesmo que fosse fragmentado. Esse não-sentir é que me faz mal. Me dá uma certa agônia. O pleno, pleno mesmo não deve existir. Acho que é como a felicidade: vem aos poucos, em certos momentos, diante de algumas situações.


Pensei isso depois de ler ele.

Semana passada.

Ainda bem que passou. Eu comi minhas unhas até a carne, sabe quando dói para pegar as coisas? Então, foi bem assim que deixei minhas mãos. Uma espécie de auto-flagelo. A dor da incerteza me acompanhou durante todos os dias e noites, que demoraram a passar.

Mas passaram.

Nas conversas no trabalho eu não estava presente, minha cabeça voava, meu pensamento só se fixava naquilo que me agoniava. Essa semana serviu para eu repensar algumas coisas na minha vida e sobre mim. Serviu principalmente para eu reforçar alguns preceitos.

Eu sei que quando as coisas tão certas sempre terá algo que não dará tão certo assim, algo que desintonizará todo o resto, mas aí é importante manter a calma e lembrar que é passageiro. Não há fórmulas para dar certo, não há estabilidade, a vida simplesmente não é linear.

Preciso ser mais firme, forte, fria.

Percebi também que tem horas que é preciso esperar a poeira baixar e tem outras que é melhor fazer mais poeira. Semana passada eu escolhi a segunda opção.

12.9.07

Peso.

Tudo me parece pesado nesses últimos dias.
O movimento é lento.
A dor é silenciosa.
A vontade é nula.
O passo é apressado.
A busca é definitiva.
Parece que estou vivendo uma senteça.

11.9.07

Fragmentos de leitura 2

"Quando emerge da banheira é uma desconhecida que não sabe o que sentir. Nada a rodeia e ela nada conhece. Está leve e triste, move-se lentamente, sem pressa por muito tempo. O frio corre com os pés gelados pelas suas costas mas ela não quer brincar, encolhe o torso ferida, infeliz. Enxuga-se sem amor, humilhada e pobre, envolve-se no roupão como em braços mornos. Fechada dento de si, não querendo olhar, ah, não querendo olhar, deliza pelo corredor. Tudo, tudo, repete misteriosamente. Não ver, não ouvir, não sentir. Na cama silenciosa, flutuante na escuridão, aconchega-se como no ventre perdido e esquece. Tudo é vago, leve e mudo". (O banho - Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector)

Bianca, mais Joana do que nunca...

Fragmentos de leitura

- O que é que se consegue quando se fica feliz?, sua voz era uma seta clara e fina. A professora olhou para Joana.

- Repita a pergunta...?

Silêncio. A professora sorriu arrumando os livros.

- Pergunte de novo, Joana, eu é que não ouvi.

- Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? - repetiu a menina com obstinação.

A mulher encarava-a com surpresa.

- Ser feliz é para se conseguir o quê?

(Um dia - Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector)

10.9.07

Sem...

A sensação de não ter seu canto. Perder sua rotina. Não ter para onde ir sem ter que avisar que está indo e justificar a ida. Se sentir pequena na grande avenida, que antes não te intimidava.

Não sei mais o ponto de ônibus, nem o caminho da padaria.Tudo que levei semanas para arrumar joguei nas sacolas em 15 minutos.

Eu sei que preciso ser prática, só isso! Mas dói essa sensação de não ter um sofá pra me jogar e ver um filme qualquer de pijama. Espero mesmo que tudo venha para meu melhor, espero fazer o melhor por mim. Por mim farei o melhor.

3.9.07

Abraço.

É estranho mas eu imaginei o seu abraço na hora da vitória. Não deveria e não tem sentido, mas eu imaginei. Várias vezes. O cenário mudava, mas era sempre a sua mão que eu apertava na hora de anunciarem a vencedora. E era no seu abraço que eu fechava os olhos...

Eu e ele

Melhor sábado não há!