30.6.07


"Eu. Figura de sopro, de ouvido, voz tão intensa, quase um zumbido. Tão claras para mim são as horas, devoradoras sobre o tempo. Não digo a palavra solidão, não digo: escrevo.

E corro, corro.

Eu, criatura desse barro, moldada, esculpida. Falta-me o acabamento. Para mim, sobrou a solitárias tarefa de me finalizar. Trago linhas e texturas. Crio volumes e curvas. Sou ferramenta dos meus dedos. Eu, mulher de poucos avisos, vou me contruindo".

[trecho do conto Gravidade, do livro A pequena morte e outras naturezas, de Claudia Lage, que minha amiga Mari achou a minha 'cara'. Foto tirada por Sálua, que encontrou a figura em algum muro de Sampa e achou a minha 'cara']

24.6.07

Novos ares

Deixei aquele vento que temia entrar. Entrar e arejar tudo por aqui, bagunçar meus cabelos, espantar meus medos [eu sei que não posso lutar contra porque sempre surgem novos por mais que alguns tenham ido embora]. A solidão que ele trouxe não me assusta mais, pelo contrário: gosto dela! Dizem por aí que a solidão não tem sentido, mas eu encontro o meu nela, por mais estranho que pareça. Esse é o meu momento.

Pausa.

Agora respirando novos ares, preparada para os ventos, mesmo os mais fortes, sigo inseguramente feliz por novas ruas, pegando novos ônibus, planejando uma nova rotina, mas deixando espaço para a vida agir, tem coisas que estão fora do nosso controle...

22.6.07

Vida

No meio de tanta correria, tanta coisa boa, coisa-acaso, coisa planejada, coisa dando certo, coisa se definindo, coisa feliz, coisa fria, coisa cinza, coisa colorida, vem a vida e nos lembra o que realmente é importante, quem realmente somos. Como se fosse um estralar de dedos que nos acorda do transe. Assim!

17.6.07


E de repente me bate uma solidãozinha, aquela que já bem conheço e sei como me deixa. Ela entra como o vento pela fresta da janela, bem naqueles dias que o cobertor está longe ou já não te pertece mais. Só preciso descobrir como fechar essa janela.

Ufa!


Feliz em meio ao meu tumulto imposto!

10.6.07

Devaneios meus...

Eu sou do nunca. Acho que a loucura é a perfeição. Mas eu não creio na existência da perfeição. Então, a loucura existirá?

A luz do Sol ilumina o livro e essas linhas que escrevo. Vejo um casal de velhinhos de mãos dadas e me pergunto se protagonizarei essa cena, então eu sinto tudo tão distante. Uma nuvem tem o formato de um pássaro, isso me faz pensar na infância, onde verdadeiramente há liberdade, mesmo que não saibamos que a temos. As árvores são tortas mas me passam força e segurança, penso na minha imagem perante o outro. O que será que transmito? Logo o antônimo da palavra forte me vem a mente.

Sinto-me viva ao observar esse cotidiano [sem fazer parte dele]. Minha paz está singularizada por essas linhas tortas, porém sinceras. Minha paz única [e sem sentido]. Minha.

7.6.07

Recomeço

E lá vou eu denovo reconstruir tudo, reestruturar meu caminho. Faz um Sol lindo lá fora e o Vento tá mansinho, mansinho. Sinto que o ano nem começou para mim e tô com a sensação de perda de tempo. Mas o tempo não é uma medida, segundo um amigo, mas é um lugar, uma referência. Não colocamos o tempo que ganhamos no bolso. Estou perdendo tempo escrevendo essas linhas? Por via das dúvidas vou parar por aqui e ir respirar Sol.

4.6.07

Mãos dadas

Eu só peço que segure firme a minha mão. E que se mantenha assim [essa mesma força e vontade de segurar] enquanto caminharmos juntos, independente do tamanho [tempo] do caminho que cruzaremos. Perfume, segundos, palavras. O sentir não é mais verbo. É um descanso em meio a essa loucura que se tornou o mundo.

Respirar

A alegria e a tristeza são separadas por uma linha tênue-frágil-fina-sem cor [em minha vida]. Eu tenho dificuldades de enxergá-la muitas vezes. Tem horas que a alegria invade e enche meu peito. Como se fosse o ar que respiro. Como se entrasse pelo meu nariz e fosse parar nos meus pulmões. E eu sinto vontade de chorar, como se eu fosse explodir por dentro e precisasse pôr toda a alegria para fora. Ela não me pertence. Em outros momentos eu respiro tristeza. Mas ela não enche meu peito e sim esvazia minha alma. Eu vou aprendendo como enxergar essa linha e como me manter afastada dela.