31.3.07


Novos (e bons) ventos sopram...

29.3.07

Vazio


Era para eu ter escrito isto na segunda-feira, que foi quando eu pensei e senti. (Hoje não me sinto assim, pelo menos por enquanto não). Mas, como acho e faço daqui um registro muito pessoal, quero colocar isto também. Pode não fazer sentido para quem ler as linhas abaixo. Mas, eu quero ler daqui a um tempo e pensar que mudou, melhorou, conseguir entender, porque ainda não consigo.

Me senti estranha no final do domingo e na manhã de segunda. No domingo estava cercada de velhos e queridos amigos. Mas, me senti entre estranhos, meio sem saber como agir, sobre o que conversar. Sei lá vontade de fugir. Porque o desânimo bate do nada, mesmo tendo sido tudo ótimo nos dias anteriores?

Parece que percebi que não tenho meu canto, meu refúgio. Uma sensação de estar sem chão, sem ter com quem contar, sem ter com quem conversar sobre essas sensações estranhas, sem saber como expressar essas estranhezas.

Mas as obrigações, responsabilidades e outras coisas do cotidiano atropelaram tudo isso e acabei me esquecendo. Mas eu sei que isso é só por enquanto. Eu sei que quando me encontrar pensando vai voltar. Não sei o que devo fazer então. Se devo tentar sufocar tudo isso me ocupando mais e mais ou se devo tentar encarar isso que nem sei o que é. Amanhã pode tudo passar e eu nem me lembrar da sensação de vazio que senti...Talvez ele (o vazio) seja bom, sirva para algo.

Desplanejando os planos.

Não estou convicta das minhas convicções.

Descrente das minhas crenças.
Eu pensei nessas três frases na segunda, hoje eu diria que estou refazendo meus planos, não desplanejando, estou adaptando para o que eu realmente posso fazer. Minhas convicções estão em transmutação junto com as minhas crenças. Como pode mudar tudo em apenas 3 dias?

28.3.07

Abri um dos meus livros favoritos e...


"Seu primeiro pensamento foi: ele voltara por sua causa. Por sua causa havia mudado de destino. Agora, não seria mais ele o responsável por ela: de agora em diante seria ela a responsável por ele.

Essa responsabilidade parecia-lhe estar acima de suas forças.

Despois lembrou-se: ontem ele aparecera na porta do apartamento e alguns momentos depois, numa igreja de Praga, soaram às seis horas. A primeira vez que se encontraram ela terminara o serviço às seis horas. Ela o via diante de si, sentado num banco amarelo, e escutava o badalar dos sinos.

Não, não era superstição, era o sentido da beleza que, de repente, a libertava da angústia e a invadia com um desejo renovado de viver. Mais uma vez, os pássaros do acaso haviam pousado nos seus ombros. Tinha lágrimas nos olhos e estava infinitamente feliz por ouvi-lo respirar a seu lado". (Millan Kundera)
Pena que muitas coisas só acontecem nos livros, não saem das páginas para nos encantar, ficam só no pensamento, na imaginação...



Eu não estou eu

23.3.07




"Me acho incompleto e por isso preciso de mistério. Pra mim a razão é acessório" Manoel de Barros




Os acessórios só enfeitam, são dispensáveis...Penso que muitas vezes é melhor deixar pra lá, certos pingos nos 'is' não devem ser pingados. Não quero confrontar contradições. Eles (os confrontos) não anularão o já se passou e foi superado, só trará novos ares às antigas mentiras ou omissões. Dizem por aí que nunca é tarde, mas em certos casos acho que é sim, é tarde e não vale a pena. Vira-se a página e ponto. Simples assim...

22.3.07


"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem" Guimarães Rosa
Companheiras que cruzam o mesmo caminho...

21.3.07


"De modo que não eram as ideías que salvavam o mundo, não era o intelecto nem a razão, mas justamente o contrário: aquelas insensatas esperanças dos homens, sua fúria persistente de sobreviver, seu anelo de respirar enquanto for possível, seu pequeno, teimoso e grotestco heroísmo de todos os dias frente ao infortúnio. E se a angústia é a esperança do Nada, algo assim como a prova antológica do Nada, não seria a esperança a prova de um Sentido Oculto da Existência, algo pelo qual vale a pena lutar? E, sendo a esperança mais poderosa do que a angústia (já que sempre triunfa sobre ela, se assim não fosse nos suicidaríamos todos), não seria porque esse Sentido Oculto é mais verdadeiro, por assim dizer, que o famoso Nada?" (Sábato em Sobre Heróis e Tumbas)


Estou sem inspiração para escrever estes dias.

Escrevo pouco e vivo muito, mais, melhor...

Tenho saído mais, lido muito, me divertido melhor.

Ando abraçando mais, sentindo melhor, rindo muito.

Vejo mais a Lua, assisto muitos filmes, respiro melhor. Apenas vivendo...

15.3.07


Isto me fez chorar ontem:


"Às vezes há tanta beleza no mundo que parece que não vou suportar e meu coração parece que vai sucumbir" (Ricky Fitts em Beleza Americana)
E as coisas simples voltaram a fazer sentido e me deixar calmamente feliz!

14.3.07

De volta


Uma pausa. Respirei novos ares (mais poluídos, mas tudo bem). Um acaso no metrô Paraíso. Nova rotina se iniciou. E assim tudo vai se ajeitando. E o sorriso aparece novamente, prometendo que não vai embora tão cedo.

9.3.07


-Por favor, uma dose de inconsequência, duas de imaturidade e meia de irresponsabilidade, sim?

Obrigada. Ah! eu tenho pressa, tá?


Às vezes é melhor não pensar. Não tentar. Não resolver. Não terminar. Não começar. Não ir. Não voltar. Não decidir. Não fazer. Não encontrar. Não esconder. Não procurar. Não guardar. Não abrir. Não escolher. Não gritar. Não chorar. Simplesmente emergir, abandonar-se e observar tudo. Tomar fôlego e, só então, voltar a mergulhar...

Necessidade


Eu preciso de silêncio. E preciso constantemente. Por mais que eu tente mudar, não consigo. Estou sempre o perseguindo inscansavelmente. Ninguém imagina o prazer que me dá a minha solidão embalada pelo silêncio do mundo a minha volta...

8.3.07

Ela 2


Por que ela responde minhas inquietações...


"De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és?"

7.3.07

Eus





Enquanto ia para outro lugar fui analisando os meus eus, me analisando por ângulos diferentes. O eu-irmã, o eu-tia, o eu-filha, o eu-amiga, o eu-vizinha, o eu-profissional... Pensei no que há de semelhante neles, no que há de diferente, o que os une e o que os separa. São tantos eus que nem sei bem quem sou de fato e nem em qual momento eu sou genuinamente eu. Buscando uma explicação clariceana eu diria que é melhor não entender para não me limitar e também estas questões são
simples-bobagens-complexas-de-uma-mente-inquieta...





Para pensar:

"Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei".






Para questionar:


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". (Álvaro de Campos)



Para confundir:


"Sim, sei bem que nunca serei alguém.
Sei de sobra que nunca terei uma obra.
Sei, enfim, que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora, enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos, esta paz em que estamos, deixem-me crer o que nunca poderei ser". (Ricardo Reis)



Para instigar:

"Nada que sou eu serei.

Sonho, e só existe em meu ser,

Um sonho do que terei.


Só que o não hei de ter".

5.3.07

Ela


"Pois preciso saber exatamente isto: estou sentindo o que estou sentindo ou estou sentindo o que eu queria sentir? Ou estou sentindo o que precisaria sentir?" (Ela em A paixão segundo G.H.)

4.3.07


Uma dúvida: será que daqui a dez anos eu ainda vou abraçar meus amigos como abraço hoje?

A questão surgiu após eu ler o blog de uma amiga querida...


Acabamos por nos revelar quando nos escondemos


Mais um dia começa e você pensa como pode fazer para que ele não passe, simplesmente...Penso, penso. Entre uma leitura e outra encontro um texto que me anima. Um texto que não contém palavras rebuscadas ou questões profundas da nossa existência, mas só a simples sensibilidade.


"-Por que existe ônibus?
Eu titobeei, mas respondi:
-Porque não temos asas.
Ele falou em seguida:
-Não deviam ter feito ônibus, sabe...aí, a gente não ia ver tanta coisa e talvez fosse feliz no nosso canto.
Eu não tive o que falar, dei um toque de mão, saí com os olhos cheios de água, sentimental e acabei meu texto.
Em casa resolvi acrescentar:
"...aquele era meu povo e que do meu povo eu não tinha piedade, pelo meu povo eu tinha amor" (Plínio Marcos)" (texto do escritor Ferréz publicado na Caros Amigos de janeiro. A pessoa que fez aquela pergunta para ele foi um pedinte)

Como eu também não tenho asas, peguei um ônibus e fui visitar uma amiga querida e matar as saudades, falar da vida, contar dos meus dias, dos meus questionamentos, das minhas incertezas e ouvir sobre ela, seus dias, angústias e sorrisos...

Saímos para a rua (quem a conhece sabe que isso foi um grande acontecimento e eu fico feliz de participar disso) vimos o eclipse, que deixou um clima mágico na noite. Conforme ele foi acabando fomos nos animando e de repente estavámos brindando, alegres, como se há poucos instantes ninguém estivesse triste.

Um brinde ao meu sábado! E aos meus amigos!

2.3.07

Continue a lembrar



"Do you feel like a chain store
Practically floored
One of many zeros
Kicked down and bored
Your ears are full but you're empty
Holding out your heart
To people who never really
Care how you are
So give me coffee and tv easily
I've seen so much,
I'm going blindand i'm braindead virtually
Sociability is hard enough for me
Take me away from this big bad worldand agree to marry me
So we can start over again
Do you go to the country
It isn't very far
There's people there who will hurt you
cos of who you are
Your ears are full of their language
there's wisdom there you're sure
Till the words start slurring
And you can't find the door" (Blur)

1.3.07

"Can you hear me?
Hear me screaming
Breaking in the muted sky
This thunder heart
Like bombs beating
Echoing a thousand miles" (Foo Fighters)


O ânimo foi reconquistado durante os 40 minutos que falava com quatro pessoas diferentes, sobre assuntos diferentes, mas que de certa forma me animaram, me fizeram imaginar o tal raio de Sol.


Fui ao médico com a cabeça a mil por hora, tudo junto parecendo nada. Depois fui em busca de um abraço amigo e não encontrei o amigo.

O dia só não foi de todo mal porque admirei a lua (maravilhosa!) na companhia do meu sobrinho, na praia.

Eu ando oscilante demais, um dia sou a personificação do otimismo e no outro penso três vezes antes de levantar da cama: "tenho mesmo que viver este hoje".

Vou esperar algo melhor do amanhã...


Eu sou assim. Eu estou inconstante. Eu sou calada. Eu prefiro matar minha sede do que admirar meu reflexo na água. Há certas coisas que preciso admitir para mim mesma e ponto. As dúvidas me arranham como farpas. Vontade louca de fugir nem sei para onde. É difícil enxergar algum raio de sol em meio a tempestade, vou tentar ao mesmo imaginá-lo.


"Mas uma convicção mais profunda, embora tácita, inclinava-o a pensar que o tempo dos seres humanos não volta jamais atrás, que nada volta a ser como era antes e que quando os sentimentos se deterioram ou se transformam não há milagre que os possa restaurar em sua qualidade inicial: como uma bandeira que se vai se sujando e gastando (como dissera Bruno). Mas sua esperança lutava, pois, como pensava Bruno, a esperança não deixa de lutar embora a luta esteja condenada ao fracasso, já que precisamente, a esperança só surge em meio ao infortúnio e em razão dele" (Sabato)