26.2.07

Antônimos


Nada. Tudo.

Nunca. Sempre.

E de repente tudo me parece tão impossível. E inútil. E descartável. E improvável. E sem valor.

Nada. Nunca.

25.2.07

Sem rumo


Estou meio sem rumo, sem saber para onde ir, com quem ir, por que ir...
Estou naqueles dias em que me dá vontade de correr.
Só correr. Sem rumo, sem olhar pra trás. Sem parar. Sem pensar.
Talvez enquanto eu estivesse correndo fosse perdendo tudo pelo caminho e me reencontrando, reescrevendo, reconstruindo. Só.

24.2.07


Não há vestígios meus em você. Só no corpo, não na alma...

Há vestígios seus em mim. Não no corpo...

23.2.07

Felicidade segundo Ernesto Sabato


- Estivemos aqui uma tarde, eu e Alejandra.

E como se não conseguisse deter sua bicicleta, tendo perdido o controle, acrescentou:

- Como foi feliz aquela tarde!

Arrependendo-se e se envergonhando em seguida de semelhante frase, tão íntima e tão patética. Mas bruno não riu nem sorriu (Martín o olhava quase aterrado), apenas permaneceu pensativo e sério, olhando para o rio. E, quando, após um longo momento, Martín imaginava que não faria nenhum comentário, disse:
- Assim ocorre a felicidade.

Que queria dizer? Quedou-se escutando-o, ansioso, como sempre quando se tratava de algo vinculado a Alejandra.

- Em pedaços, por momentos. Quando somos crianças esperamos a grande felicidade, alguma felicidade enorme e absoluta. E à espera desse fenômeno deixamos passar ou não apreciamos as pequenas felicidades, as únicas que existem. É como...

Calou-se, no entanto após um instante, continuou:

- Imagine um mendigo que desdenha esmolas pelo caminho, porque lhe deram a informação de um fabuloso tesouro. Um tesouro inexistente.

Voltou a mergulhar em seus pensamentos.

- Parecem banalidades: uma conversa aprazível com um amigo. Talvez essas gaivotas que voam em círculo. Este céu. A cerveja que tomamos há um minuto.

Moveu-se.

- Minha perna está dormindo. É como se tivessem injetado soda na gente.

Desceu e logo acrescentou:

- Ás vezes penso que essas pequenas felicidades existem precisamente porque são pequenas. Como essa gente insignificante que passa despercebida.

22.2.07

Viagens da mente


Aproveito o silêncio, o escuro e a falta de sono (em uma viagem de 15 horas de duração) para pensar nas linhas (entrelinhas minhas, tão minhas) abaixo.

Repenso meus planos e a falta deles também. Penso na necessidade de me programar, disciplinar, me alimentar melhor, voltar a meditar, caminhar na praia, mandar postais para algumas amigas, estudar História, ver mais filmes, fazer um trabalho voluntário, são tantas coisas para tentar me preencher.

É muito tempo para pensar só no futuro, então relembro o passado recente (a intensidade da entrega, a minha entrega) e dos sonhos estranhos (perseguição, amigo pedindo ajuda, cenas de ciúmes...).

Ainda me sobra tempo, analiso o presente, sinto que estou me afogando no meu silêncio, que parece ser perpetuado pela minha insegurança (sempre ela!)...

Me restam mais horas e horas...E acabo por acabar com minhas unhas, remoendo as incertezas futuras (em especial as geradas por atos de um passado não muito distante).

A viagem ainda não acabou, nem os planos, nem as incertezas, nem as reflexões, nem as lembranças, mas o Sol está nascendo e eu prefiro contemplá-lo.


Mais fragmentos de pensamentos de uma longa viagem (rumo ao auto-conhecimento)


Vejo os carros passarem

Observo o tempo

Sinto os pensamentos se confundirem

E eu me perco...

A noite vem acompanhada dos meus medos


Fecho a cortina como se ela fosse uma barreira entre eu e o que temo.

Logo percebo que essa barreira é muito frágil...

13.2.07


De férias pós-formatura, quase não tenho acessado a internet e nem pretendo acessar muito nos próximos dias...


Feliz! Curtindo as borboletas, o frio, o queijo, o doce de leite, a família, a música, o céu...

7.2.07

Vento


Eu vou deixar o vento guiar meus sentimentos, tendo em mente que ele pode trazer consigo tempestades e também ser o alívio em momentos sufocantes...

4.2.07


"Hoje eu não vivo só... em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão
Outros tantos passarinho

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor
Um favor... por favor

A razão é como uma equação
De matemática... tira a prática
De sermos... um pouco mais de nós!

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor
Um favor... por favor" (Teatro Mágico)


3.2.07


"(...) Estamos próximos mas estamos a uma distância incomensurável, estamos próximos mas estamos sós". (Ernesto Sábato - Sobre Heróis e Tumbas)

Estranha


Hoje eu acordei irritada, detesto quando me tiram da cama sem antes eu lembrar meus sonhos...
A irritação passou durante uma caminhada pela manhã na busca do vestido da minha mãe para minha formatura. Acho que passou porque ficamos falando sobre isso, sobre este momento importante da minha vida.

Depois do almoço fiquei um pouco no computador, mas não estava tranquila. Fui ler Sábato e a leitura não fluía, não consegui me concentrar na história.

Decidi colocar Bjork e deitar no chão da sala, mas o tom de voz dela me deixou triste. Mudei o cd para Foo Fighters, mas a versão acústica me pareceu romântica demais para esta tarde e tudo me soou melancólico... Para não dizer que não tentei coloquei Quens of the Stone Age e levantei do chão para pular com o som, mais pesado. Porém, ainda sim, eu continuei inquieta e insatisfeita...
Espero que passe, vou sair de casa e deixar a inquietação na primeira esquina...


"Papai, que é que eu faço?
- Eu já lhe disse: vá brincar e me deixe!
- Mas eu já brinquei, juro.
Papai riu:
- Mas brincar não termina...
- Termina sim.
- Invente outro brinquedo.
- Não quero brincar nem estudar.
- Quer fazer o quê então?
Joana meditou:
- Nada do que sei ..."
(Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector)



Os anjos só existem para aqueles que acreditam...

2.2.07


Eu me acostumei com o acaso, não me espanto mais quando tropeço nele...


"Somente o acaso tem voz. As coisas que acontecem cotidianamente em nossas vidas não passam de coisas mudas, pois em nada alteram nossas vidas". (Millan Kundera)

1.2.07

Escuro


Procuro o escuro para exorcizar meus fantasmas. Nem sempre consigo...

(Des) Encontros contemporâneos

Por Helena Sut

Trocaram endereços eletrônicos, números de celulares e algumas confissões. Um olhar disfarçado entre o conhecimento e a busca de intimidade. Despediram-se com fortes impressões e com promessas de almoços, jantares, cinemas...

As horas compartilhadas tornaram-se lembranças em diferentes perspectivas, mas talvez com emoções convergentes. O outro representado como a extensão das palavras, com o encontro dos mesmos conhecidos, com as surpresas do acaso, com o brilho nos olhos, o arrepio na pele ante o involuntário contato de antebraços...

Como nunca haviam se encontrado se freqüentavam os mesmos lugares e conheciam as mesmas pessoas? Andavam entre si até tropeçarem no outro...Fez-se noite. Ela dormiu com a lembrança, ele perdeu o sono em expectativas... Um encontro diferente.

De repente, a face quase desconhecida era a presença familiar no pensamento, o anseio, a possibilidade de reencontrar o significado nas quase fictícias feições pinceladas nas recordações. Ela acordou com o desejo, ele permaneceu suspenso num prazer indefinido. De repente, as faces eram constantes na multidão, uma busca anônima. Quase uma brincadeira.

Por onde andariam os passos rotineiros, os movimentos quase autônomos, as palavras limitadas ao lugar comum das vestes dos dias? Tropeçariam em outros até percebê-los entre si...O primeiro dia foi marcado por uma ligação não atendida. Um certo desconforto e já algumas dúvidas. Será?

O segundo marcado por mensagens: “Saudade. Quando nos vemos?”, “Como está? Muito trabalho?”, “Eu vou bem e você?”, Me liga...”, “Quando?”... Tentaram se encontrar, sair com amigos comuns, mas a cada tentativa mais se desencontravam.

Os dias seguintes foram seguidos por escassas mensagens constrangidas. Por fim, encaminhavam apenas mensagens anônimas ou correntes. As feições se distanciavam: “Qual é a cor dos olhos?”, “Acho que os cabelos são castanhos...”, “Cicatriz?”, “Era gordo ou magro?”, “Alta ou baixa?”.

Amigos virtuais como tantos outros... Um dia se reencontraram no mesmo bar e não se reconheceram. Eram os mesmos e, por ironia, usavam as mesmas roupas, mas estavam tão diferentes e distantes que nenhuma percepção correspondia às lembranças perdidas nos plurais meios de comunicação.