
Meu ser está insustentavelmente leve! A leveza se deve a poesia, ao amor, ao ser amado, aos amigos, as crianças, a música cantada bem alto, a lua, aos mantras, a respiração profunda, aos olhos fechados na hora certa, ao errado....O insustentável se deve, talvez, as dúvidas. As dúvidas são pesadas,as incertezas...
O livro que inspira essas linhas fala sobre o Eterno Retorno, de Nietzsche. Fala também das nossas escolhas, que por menor que sejam têm uma conseqüência no futuro que pode mudar nosso jeito de pensar ou até o que sómos. Um simples telefonema, um e-mail, uma escolha sem pretensão pode mudar tudo!! Não devemos ser paranóicos, mas podemos ficar atentos aos sinais da alma, muitas vezes não depende de nós...
Outro tema interessante abordado no livro é o acaso, os acontecimentos fortuitos. Tereza, a personagem principal, percebe a coincidência de conhecer Tomas no momento em que toca Beethoven -que ela adora-, o fato de ele estar hospedado no quarto 6 e ela sair do trabalho às 6 horas. Para muitos não seria nada, mas a alma de Tereza dizia para ela mesma que: sim, era ele! O que dizer então do início na mesa 1, chaves esquecidas, uma seqüência de viagens na poltrona 19??
Se pensarmos que nossa vida irá se repetir eternamente, todos os nossos atos ganham peso! Imagine que aquelas simples palavras pronunciadas sem reflexão podem ficar ecoando para todo o sempre. Elas podem ser mais destruídoras do que imaginamos!!! Ao mesmo tempo, quando uma coisa se repete por muitas vezes nós não damos mais tanto valor a ela, nós acustumamos, criamos antídotos. Completamente (amo essa palavra!) ambigüo, dual...
"Se cada segundo de nossas vidas repete-se infinitas vezes, somos pregados à eternidade feito Jesus Cristo na cruz. É uma perspectiva aterrorizante. No mundo do eterno retorno, o peso da responsabilidade insuportável recai sobre cada movimento que fazemos. É por isso que Nietzsche chamou a idéia do eterno retorno o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).
Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, então nossas vidas contrapõem-se a ele em toda a sua esplêndida leveza."(Milan Kundera)
"O romance não pode ser censurado por seu fascínio pelos encontros misteriosos dos acasos, mas podemos, com razão, censurar o homem por ser cego a esses acasos na vida cotidiana, privando assim a vida da sua dimensão de beleza." (Milan Kundera)
"O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.” (Milan Kundera)
27.10.06
Insustentável leveza do ser
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Bianca Pyl
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26.10.06

Meu olhar está ancorado nas lembranças...
"Um olhar e uma voz, som e luz... As palavras se perdiam em cavernas primitivas. O som ecoava dando sentido à dança das sombras iluminadas com a vivacidade dos grandes olhos solares (...)
Corpo entrelaçado no calor do outro, esquecido das ermas noites frias, num continente desabitado com apenas dois seres luminares, sem histórias ou projetos, e o desejo de ser no outro a humanidade.
Descobri as estrelas no céu que conduziam os sonhos e deixavam um rastro de realidade quando adormeciam ao amanhecer. No começo, não compreendi o alvo manto matinal que acobertava os astros e desejei sonhar os dias com os brilhos anoitecidos com medo de perder o encantamento das fantasias. Até encontrar no olhar do amante a possibilidade de ser o brilho e deixar o sol testemunhar o olhar, a voz, o fogo, e imaginar as fugidias estrelas". (Helena Sut)
"(...)Depois das águas, o cheiro de chuva, as poças e os passos, o som reticente que cai nas gotas de um relógio, os respingos na janela, o parapeito cerrado de fantasias, a lembrança molhada a envolver o corpo, o horizonte suspenso em neblina, a saudade..." (Helena Sut)
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Bianca Pyl
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21.10.06
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
Medo de calar a boca, medo de escutar
Medo de se arrepender, medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Mas o medo não me paralisa!
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Bianca Pyl
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Código K

Paradigma. Ela adora essa palavra, sempre dá um jeito de usá-la.
Um dia, no segundo ano do ensino médio, ela achou que uma menina estava brigando comigo, logo fechou a cara e já falou: "o que qui é?". Aposto que essa ela não lembra, mas eu lembro. Ela é corajosa para me defender. É corajosa consigo mesma. Tão corajosa a ponto de resolver mudar de vida, enquanto as pessoas tem medo da mudança, ela não! Ela buscou a mudança e foi atrás da evolução, em um lugar longe, bem longe de todos que a amam e que a protegiam, ela está lá lidando com todas as sua inseguranças. Inseguranças essas que ela nunca deixava transparecer. Ao contrário da sua firmeza, até frieza em alguns casos, e mente aberta a tudo que fazia questão de mostrar.
Ela foi o abraço certo na madrugada incerta...
A risada característica, o olhar de quem tá puta com alguém, o jeito de chorar que nem menininha despotegida e de gritar que nem fera quando mexem com um dos seus. Lembra da brincadeira de imitar animais? Essa eu tenho certeza que ela lembra. Podia passar um dia inteiro escrevendo de ti, mas não vou. Escrever o que você é para mim pode ser limitar o significado que você tem na minha vida. E uma coisa que não faz sentido em nossa amizade é o limite, Kassandra
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Bianca Pyl
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19.10.06
Memórias

Memórias não são simples recordações. A memória interpreta o que se viveu. Por isso as lembranças são sempre acompanhadas de sensações.
Muitas vezes lembramos de um fato de uma forma e depois de um tempo essa mesma lembrança tem outro significado...
“Todas as memórias são falsas", diz Saramago. Mas é lá que escondemos nossos segredos e desejos, embora fragmentados, às vezes tão fragmentados que perdem o sentido. Está ali, em cantinhos secretos, filtrados pelos misteriosos critérios da mente.
Uma coisa é certa: a memória não é lógica, ela esquece ou lembra por acidente. A memória, às vezes, nos engana e rouba alguns momentos vividos, os levando lá para um canto que não conseguimos alcançar mais. Ela é autônoma em relação a nós.
Tenho em minha memória, que logo me transporta ao momento, o brilho no olhar, a luz do sorriso, o coração acelerado, a dor da despedida, o peito apertado de saudades, o sonho...
Haja palavras para averbar memórias, que fazem parte da nossa expriência, do que sómos...é o homem diante de si!
O esquecimento também é necessário, muitas vezes. Talvez poucas para os mais corajosos, ele não é uma boa opção...talvez seja uma saída.
Memória lembra saudade....
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Bianca Pyl
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9.10.06
Registro de uma conversa rápida...porém marcante

SHE & Hagen diz:
aeeeeeee!!!!
Flor de Lótus diz:
ah vc tá aí!!
SHE & Hagen diz:
tb tô sem tempo agora, vou dar banho no Hagen, preparar o leitinho que daqui a pouco ele dorme!
SHE & Hagen diz:
mas fico feliz com a notícia!
SHE & Hagen diz:
cê tá feliz?
Flor de Lótus diz:
sim flor, depois eu te conto, mas como sempre tudo muito mágico !!
SHE & Hagen diz:
que ótimo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
SHE & Hagen diz:
sempre, o mágico é o caminho das fadas!!!
Flor de Lótus diz:
sim....
SHE & Hagen diz:
com vc näo poderia ser de outra maneira, entende?
SHE & Hagen diz:
vc é muito especial pra ter acontecimentos banais na tua vida!
SHE & Hagen diz:
näo combina...
Flor de Lótus diz:
ah linda
Flor de Lótus diz:
vc tb
SHE & Hagen diz:
o mágico é inevitável pra gente como a gente, Bi!
SHE & Hagen diz:
cada vez mais eu creio nisso...
Flor de Lótus diz:
eu tb flor
Flor de Lótus diz:
sem palavras
SHE & Hagen diz:
e sendo mágico, é o certo...
SHE & Hagen diz:
lembra do Mágico de Oz?
SHE & Hagen diz:
Continue no caminho das pedras amarelas...
SHE & Hagen diz:
sempre!
Flor de Lótus diz:
sempre...
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Bianca Pyl
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6.10.06
Criar laços

Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas.
Contemplou-as...eram todas iguais a sua flor. E deitado na relva, ele chorou...E foi então que apareceu a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativara ainda.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal- entendidos. Cada dia te sentarás mais perto...Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde às três, eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:- Ah! Eu vou chorar...a gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar. E acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua, é a única no mundo. É simples, o segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar...
" Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e nunca encontram o que procuram...E no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..." (Antoine de Saint-Exupéry)
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Bianca Pyl
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